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Escrito por Dra. Julieta Quayle
A identificação do sexo do bebê antes do nascimento é feita através do exame de ultrassonografia. Normalmente, um examinador experiente consegue visualizar e identificar o sexo fetal — o sexo do bebê — nesse exame a partir de 15 semanas de gestação. Assim, quanto maior a experiência do profissional na realização desse exame e maior o tempo de gestação, maior a probabilidade de ele conseguir visualizar e identificar corretamente o sexo do bebê. Todavia, é importante lembrar que essa data (15 semanas) não é uma referência fixa: às vezes, dependendo da posição do feto durante o exame, é impossível visualizar a região genital até o final da gravidez, independente dos esforços do profissional e da vontade dos pais. Em gestações gemelares (de gêmeos) essa visualização também pode ficar mais difícil.
Muita expectativa em relação a um sexo pode gerar frustrações?
Como em tudo na vida, expectativas exageradas em relação ao sexo do bebê podem nos levar a frustrações. Podemos ter nossas “preferências”, nossos desejos no que se refere ao nosso filho(a), essa criança em gestação que já carrega o fardo de nossas fantasias, do que “vai ser quando crescer”, sua personalidade, jeito de ser, etc.
Mas é importante, como em qualquer outra situação na vida, que deixemos um espaço para o inesperado e para a realidade. Não podemos esquecer que o sexo dessa criança é só um “pedaço” de nossas expectativas: elas não se limitam à questão do sexo, do gênero, da identidade sexual desse ser.
Pode ocorrer que essa criança tenha o sexo que “sonhamos”, mas que a cor de seus olhos não corresponda ao que desejávamos. Ou, o que é ainda mais complicado, que tudo seja “do jeitinho que eu queria”, mas que ele ou ela sejam mais ou menos calmos, ou brincalhões, ou espertos do que aquilo que gostaríamos que eles fossem. Nosso filho não vem ao mundo somente para ser a expressão de nossos desejos e realizar os nossos sonhos, não é mesmo?
Por outro lado, frustrar-se é parte da vida. Não adianta fazer de conta que não temos desejos ou preferências. Nós os temos, e muitas e muitas vezes não conseguimos realizá-los. O importante é: como lidamos com as frustrações. Sentimos raiva? Culpamos o mundo? Os parentes? O bebê? O médico? Ou reagrupamos nossas energias, examinamos a situação, avaliamos com cuidado e fazemos novos planos?
O diagnóstico pode ser falho?
Às vezes o profissional se engana em relação à identificação do sexo fetal, seja por falta de experiência ou porque, como dito antes, a visualização está difícil por conta da posição do feto no útero. O importante, nessas situações, é o médico deixar claro que se trata de uma aproximação. De qualquer forma, sempre existe uma margem de erro que é preciso ser considerada pelos pais ao fazerem planos para seus bebês. Atualmente, em virtude da formação dos profissionais e dos avanços tecnológicos, essa margem de erro é muito pequena, mas oscila ao redor de 1%.
Existem algumas crenças que predizem o sexo do bebê, como o tamanho da barriga, o tipo de desejo da gestante, etc. Isso é possível?
As pessoas gostam de prever as coisas e acreditar que, assim, controlam o futuro. Nada é assim simples. Mas as crendices se fazem presentes como forma de lidarmos com as incertezas da vida, principalmente em situações que para nós são importantes. Claro que isso depende também do jeito de ser, da religião, da cultura de cada um de nós, de nossas crenças, enfim.
No caso de “prever o sexo do bebê”, essas crendices eram muito importantes na época em que a ciência não dispunha de meios para fazer esse diagnóstico. Como qualquer superstição, elas permanecem — afinal, superstição quer dizer “aquilo que sobrevive numa dada cultura”. Mas sua simples existência e sobrevivência através dos tempos não são garantia de precisão ou de verdade. De fato, muitas vezes as “previsões” estão corretas: aproximadamente metade das vezes, de acordo com a lei das probabilidades. E é isso que mantém as crendices vivas. Mas não faz com que elas sejam a melhor forma de lidar com as coisas.
Por outro lado, é fundamental lembrar que a identificação do sexo do bebê também tem uma importância clínica, não está aí só para satisfazer a curiosidade dos pais, pois algumas doenças, por exemplo, só acometem meninos; assim, saber com antecedência o sexo de um dado bebê pode resultar em um tratamento adequado precoce, muitas vezes ainda intraútero.
Nessas situações, quando existe a premência de se ter acesso a essa informação, existem outros exames que podem ser realizados, exames genéticos a partir do líquido amniótico ou do sangue do cordão umbilical, por exemplo, que informarão com segurança o sexo desse bebê.
Dra. Julieta Quayle é Psicóloga, psicoterapeuta e professora universitária. Orientadora credenciada pelo Fetal Medicine Foundation, de Londres. Doutora em Psicologia. Especialista em Psicologia Clínica e Hospitalar. Presidente da Associação Brasileira de Psicoterapia. CRP 06/02421. Contato:
jquayle@uol.com.br
Fonte: http://idmed.uol.com.br/16/Gravidez/Bebês/expectativa-e-menino-ou-menina.html
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